domingo, 8 de junho de 2008

Napoleão vs. David

DAVID, Jacques-Louis
Napoleon in his Study
1812
Tela/óleo, 204 x 125 cm
National Gallery of Art, Washington


Este retrato é propaganda por todo o lado: que bom governante, é tão tarde, como se vê no relógio e pelas velas consumidas e ainda está acordado, pudera, legislou feita maluca no código que está enrolado sobre a cadeira; que bom soldado que é, que agora se prepara na sua farda de Coronel, engalanada, com a sua espada, prestes a ir passar revista aos seus soldados, que temos de andar sempre de olhos nos homens; que bom imperador este, que no meio dos símbolos do seu brasão, as abelhas e o seu N no cadeirão, zela dia e noite em benefício dos seus amados súbditos.
Terá sido o amigo Napoleão a escolher a pose? Acho que não, porque com tanta coisa, o homem não tinha tempo para essas coisas fúteis, como posar para o retrato, ora essa. O artista, o Sr. David é que deve ter pensado nisso. E este foi impiedoso, arrasou com a outra. Plantou-a toda torcida, de esguelha, como quem quer parecer menos gorda. As meninas das passadeiras vermelhas dos nossos tempos fazem o mesmo para a fotografia, uma perninha atrás da outra, aprenderam com as amigas mais velhas. O David deixou-lhe a barriga toda, a velhaca, mas vá lá, deixou-lhe um pacotinho nas calças para salvar um pouco a masculinidade da casa, nada sem grandes exuberâncias, mas vá lá, assim já não foi mau.
Assim faço eu também, é uma no cravo, outra na ferradura. A um passinho à frente, segue-se-lhe outro atrás. Temos de ser cuidadosos, nada de grandes revoluções, há que manter o equilíbrio natural das coisas. Ou não?
O David jogou o jogo do Napoleão: ok, faço-te boa no papel público que ocupas, mas filhinha, não há nada a fazer, és bicha.
Acham que o Napoleão se maçou com isso? Népia, gostou e disse: "Apanhaste-me, querido David..." e rematou: "...de noite trabalho para a felicidade dos meus súbditos, e de dia trabalho para a sua glória."
Estas manas, pá, eram cá umas ressabiadas, ufa...

domingo, 25 de maio de 2008

General Sir Banastre Tarleton

REYNOLDS, Sir Joshua
Pintor Inglês ( 1723, Plympton Earl, 1792, Londres)
General Sir Banastre Tarleton
1782
Tinta de óleo em tela, 236 x 145 cm
National Gallery, London
Desculpem, mas na minha interpretação, talvez altamente parcial, parece-me que Sir Reynolds tinha uma certa inclinação para para pintar bichas machas mili(-)taradas. Já não bastava a outra coronel do post de trás, agora temos esta bicha general, que está descontraidamente a aprumar as botas, no meio do alvoroço dos cavalos desgarrados e do pó, de rabo alçado, mas a olhar pra outro lado, que isto é um olho no burro, outro no cigano. Tudo, tudo, menos andar desaprumada por ai...
Será que a mana generala não reparou que está um possante canhão em ângulo perigosamente apontado ao seu traseiro? Duvido, mas, quem sou eu... Na minha terra diz-se que a Alemanha perdeu a guerra de determinado jeito, mas esta 'xaroca, que comandou a Legião Britânica na Guerra de Independência Americana, se perdeu essa guerra, como me parece que perdeu, deve tê-la perdido do mesmo jeito que os tais alemães, que é tipo assim, como ela está posta, mas, claro que muito antes, em 1775: só que a memória do povo também não chega a tão longe, não é? Sete anos depois, por ocasião da pintura de Sir Reynolds, pelos vistos continuava a perdê-las, a julgar pela pose retratada. Eu acho que ela gostava, mas é...

Colonel George K. H. Coussmaker

REYNOLDS, Sir Joshua
Pintor Inglês (1723, Plympton Earl, 1792, London)

Coronel George K. H. Coussmaker, Grenadier Guards
1782
Tinta de óleo em tela, 238,1 x 145,4 cm
Metropolitan Museum of Art, New York

Aqui está uma bicha do século XVIII, a posar resoluta junto ao seu belo garanhão. Por que razão tapa pudicamente a zona das vergonhas com o chapéu? A mim as calças demasiado justas por vezes também me atrapalham. Mas não é pudicamente que o coronel olha para nós... o que será que ele nos quer dizer?

The Wrath of Achilles


BENOUVILLE, François-Léon
(1821, Paris, 1859, Paris)
The Wrath of Achilles
1847
Tinta de óleo em tela, 156 x 95 cm
Musée Fabre, Montpellier
Porque é que Aquiles se enfureceu? Porque lhe trouxeram morto o seu «amigo» de infância, Pátroclo, derrotado no cerco de Troia por Heitor. E era tal esse amor que Aquiles voltou cego de fúria ao combate e fez derrotar os Troianos.
Ao que parece nada nos escritos de Homero dá suporte à teoria de que Pátroclo e Aquiles eram amantes, mas, cada um acredita no que quer...
Duvido que tal vingança tenha feito bem a Aquiles. Por mais indestrutível e auto-confiante que um homem seja, há sempre mais que um calcanhar que nos expôe. Enfim, todos temos as nossas tragédias.
Gozemos a vida! E que belo e orgulhoso Aquiles é este, o de Benouville!

Study of a Male Nude


INGRES, Jean-Auguste-Dominique
(1780, Montauban, 1867, Paris)
Study of a Male Nude
1801
Tinta de óleo em tela, 100 x 80 cm
École des Beaux-Arts, Paris
Este belo nu faz-me sempre lembrar a música do leãozinho, do Caetano Veloso... só falta estar na praia a molhar as jubas.